História
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  GOLDSTREAM 270/10 - SUFFOLK
Fêmea Suffolk proveniente da Nova Zelândia
  GOLDSTREAM 254/10 - SUFFOLK
Fêmea Suffolk proveniente da Nova Zelândia
 
Três Estrelas participa da Expointer 2012 e leva animais da Nova Zelândia
A Três Estrelas Ovinocultura estará presente na Expointer 2012, que acontece entre os dias 25 de agosto e 2 de setembro, no Parque de Exposições Assis Brasil, no município de Esteio, RS.
Três Estrelas Ovinocultura traz nova remessa de animais da Nova Zelândia
Mantendo a característica de disponibilizar em seus rebanhos o que existe de mais avançado em genética, a Três Estrelas Ovinocultura repetiu a iniciativa de 2010 e novamente trouxe animais da Nova Zelândia.
Três Estrelas presente na FAPI
A Três Estrelas Ovinocultura está presente naFAPI – Feira Agropecuária e Industrial de Ourinhos, que acontece entre 05 e 10 de junho, no Recinto de Exposições “Olavo Ferreira de Sá” - Ourinhos/SP. Esta é a 46ª edição da feira.
 
 
 
História
 

A origem da ovelha: símbolo da paz

A procedência da ovelha se deu na Ásia Central. Nessa época, o homem alimentava-se das carcaças de animais mortos por outros animais. Alimentando-se dessa maneira, não conseguia resolver os dois maiores problemas que possuía: a fome e o frio. Logo, não tinha estimulo para desenvolver a sua inteligência. Com o passar dos anos, no período Pré-Neolítico, o homem havia desenvolvido um pouco a sua inteligência, deixando de ser um caçador indiscriminado.

No período Pleistoceno, quando as massas glaciais do hemisfério norte derreteram, algumas espécies desapareceram e outras se acumularam nas grandes montanhas, pois o hemisfério havia sido coberto pela água. Assim, as grandes concentrações de animais agudizaram o problema da subsistência. O homem desse período, já dotado de certa racionalidade, torna-se um caçador “especializado”, passando a domesticar os ovinos, e de caçador tornou-se pastor.

A domesticação das ovelhas foi uma aventura fascinante; um passo muito importante para a evolução. Os ovinos se deslocavam em grupos em busca de água e comida, o que era chamado de “Espírito Gregário”, e os pastores primitivos, como não tinham conhecimento, seguiam as ovelhas, ficando sujeitos ao ataque dos bárbaros (grupos nômades dispostos a matar e roubar). Para se defender, levavam consigo uma “tribo”, responsável pela formação de muitos grupos familiares.

Acompanhados de sua família, os pastores transumantes tinham estabilidade definida e se estabeleciam em determinados locais a fim de comercializar os animais. A partir disso, nasceram as primitivas vilas. Entre “Tigres e Eufrates”, a Mesopotâmia, terra que oferecia grandes possibilidades de criação de gado e agrícolas, desenvolveram-se os primeiros povos da história, os Sumérios. A atividade agrícola e de criação de animais geraram excedentes necessários para permitir uma concentração urbana, formando, assim, as cidades, como a Babilônia, uma das mais importantes, cujo nome significa lã.

Os Sumérios foram absorvidos pelos Semitas, Acádios, Fenícios e Israelitas, todos se dedicaram a criação de ovinos. No Velho Testamento há muito relatos de que os Israelitas, como Jacob, Moisés e David, foram grandes pastores, entre eles surgiu, também, a primeira pastora, chamada Raquel, que quer dizer ovelha.

No século VII antes de Cristo, instalaram-se na Toscana os Etruscos, povo de origem asiática que chegara à Itália e que desenvolveu a criação de ovinos intensamente. No princípio da Era Cristã, o império romano sofre a influência de Gálias, Espanha, Grécia, Palestina e do norte da África, desde a Mauritânia até o Egito. O império estava rodeado de terras para pastoreio.

A riqueza passou a ser medida pelo número de ovelhas. A moeda romana chamava-se “pecúnia” que vem da palavra “pecus” que significa ovelha. Nesta época, já se praticava a transumância - “trans” (outra) e “húmus” (terras). Os pastores viajavam com as ovelhas com o objetivo de comercializar a lã e a carne.

No império romano as ovelhas tiveram um grande desenvolvimento. A lã passou a ter grande valor, porque a arte de tecer estava muito evoluída. Nessa época, a lã entrou na moda, as mulheres e as classes governantes usavam roupas de finos tecidos de lã. Os homens que aspiravam cargos públicos usavam uma toga de pura lã branca em sinal de honestidade.

Na época de Júlio César, as ovelhas tiveram uma grande importância no desenvolvimento da economia, até a queda do império romano, em 456 depois de Cristo, quando a população foi assolada pela fome, a miséria e o medo.

Os grandes rebanhos que os romanos criaram e selecionaram foram abandonados.  No entanto, os mosteiros foram a salvação de muitos desses rebanhos, o que não permitiu que a tecelagem fosse esquecida.

Somente quando os visigodos invadiram a península Ibérica, a paz e a ordem foram reestabelecidas.  Os visigodos organizaram o país sob um sistema feudal, unindo-se com os nobres hispano-romanos e criando um código de leis o “Lex Romano Visigothorum”, que reestruturou a criação de ovinos transumantes.

No século XII depois de Cristo, a península Ibérica foi invadida pelos Mouros. Nessa época, a indústria teve um extraordinário desenvolvimento. Foi nesse mesmo período que se ouviu falar pela primeira vez em lã merina.

Com Fernando III teve início a reconquista com a criação da “Mesta”, uma organização política e social que organizava a migração periódica dos rebanhos da planície para o alto das montanhas e vice-versa, ou seja, um deslocamento que os pastores faziam em busca de comida e água para os ovinos. Com esses deslocamentos, os pastores acabavam criando povoados onde esquilavam e vendiam lãs e ovelhas.

Nesse período, o desenvolvimento dos ovinos foi extraordinário e a lã fina passou a ter muita procura por outros países. Dessa forma, os Merinos povoaram os países: na França foi criado o Merino Rambouillet, na Áustria e Hungria, o Merino Negrete, e na Alemanha, o Merino Electoral.

Esses Merinos foram chamados Merinos diretos e quando levados a outros países e continentes deram origem aos Merinos derivados indiretos, que são: Merino Americano, Merino Australiano, Merino Argentino e Merino Africano. A partir do Merino, foram criadas mais duas importantes raças que são o Corriedale e o Ideal.

Não existe no mundo um animal que tenha contribuído mais para o bem da humanidade. Povoando os cinco continentes, a ovelha levou riqueza para todos os lugares. A dívida que temos para com a ovelha é praticamente impagável. Passados dois mil anos da era Cristã, a ovelha continua alimentando a humanidade com sua carne e abrigando-a com sua lã.

A partir da ovelha sempre vai haver um fio de lã unindo os pastores e os povos. As pessoas que criam e cuidam das ovelhas conhecem a sensação de prazer que elas transmitem quando se convivem com elas. Um animal que:

- Transformou o caçador em pastor

- Resolveu o problema da fome e do frio

- Ajudou a desenvolver a inteligência

- Na transumância criou a família

- Criou e povoou cidades e países

- Ajudou a povoar e desenvolver os cinco continentes

- Com a lã criou e organizou o comércio, e a indústria de tecelagem

- Transformando a ovelha em símbolo da paz não estamos pagando a dívida que temos com a ovelha, mas estamos fazendo justiça!


Bibliografia:

Ovinocultura – Dr. Geraldo Nunes Vieira

Praderas e Lanares – Jose Minola e Angelica Elisondo

Historia Del Lanar – Jose Minola

Ovinotecnia – Mauricio B. Helman

Texto do médico veterinário, José Newton Gutierres Gonçalves, professor da Faculdade de Zootecnia da PUC, de Uruguaiana, ex-presidente da Casa da Ovelha do município, e criador da Fenovinos.

*Há ligeiras alterações em comparação com o texto original.